segunda-feira, 25 de maio de 2015

CPI INVESTIGA MÁFIA DAS PRÓTESES

G1 FANTÁSTICO Edição do dia 24/05/2015


CPI que investiga máfia das próteses ouve médicos e desembargadores. Série de reportagens do Fantástico mostrou envolvimento de profissionais que recomendavam cirurgias com próteses sem necessidade.





Esta semana, na Câmara dos Deputados, a CPI que investiga a máfia das próteses ouviu médicos e desembargadores. Um dos médicos contou como foi a cirurgia a que foi submetido e que deixou sequelas. Ele se considera uma das vítimas do esquema que o Fantástico denunciou.

“Houve um fluxo financeiro, que aí sim justifica o interesse daquela conduta médica”, diz o médico Marcelo Paiva de Oliveira.

A série de reportagens mostrou o envolvimento de médicos que recomendavam cirurgias com próteses, sem necessidade. Eles recebiam comissões de até 50% dos fornecedores dessas próteses.

O próximo a ser ouvido pelos deputados é o ortopedista Fernando Sanchis. Em uma das reportagens, ele negou ter recebido comissão de fornecedores de próteses. Mas reconheceu que pode ter assinado laudos em nome de outros médicos.

Após as denúncias, o Senado também criou uma CPI que já pediu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de médicos, advogados e empresas suspeitas de fazerem parte do esquema.

Recentemente, senadores foram a Porto Alegre para ouvir outros suspeitos. A audiência pública foi realizada na Assembleia Legislativa, onde foi apresentado um pedido de abertura de CPI.

Foi no Rio Grande do Sul que surgiram vários dos casos que a Polícia Civil gaúcha está investigando. Em Minas Gerais, o Ministério Público Federal está apurando suspeitas de cobranças abusivas de stents – material usado em cirurgias de coração. Em Santa Catarina, o Conselho Regional de Medicina recebeu denúncia sobre o uso de stents com o prazo de validade vencido, em um hospital de Itajaí.

E em outras partes do país, a Polícia Federal também investiga mais casos que envolvem a máfia das próteses. Este mês, o Ministério da Saúde anunciou medidas que tornam mais transparentes o uso de próteses e órteses em hospitais federais.

terça-feira, 19 de maio de 2015

ESPERA DE 10 HORAS EM EMERGÊNCIAS REVOLTA PACIENTES

ZERO HORA 18/05/2015 | 18h59min


Espera de até 10 horas em emergências de Porto Alegre revolta pacientes. Hospitais operam com procura acima da capacidade e tentam minimizar demora para atendimento em casos de menor gravidade


por Caetanno Freitas




Área externa da emergência do Hospital de Clínicas tinha pacientes aguardando atendimento em macas e cadeiras de rodas Foto: Caetanno Freitas / Zero Hora

Superlotadas, as emergências dos principais hospitais de Porto Alegre tiveram mais um dia de movimentação intensa e testaram a paciência de quem procurava atendimento nesta segunda-feira. Em algumas instituições, como no Hospital de Clínicas, a espera para uma consulta chegava a 10 horas em casos de menor gravidade.

— Se não houver risco de vida, pode sentar e esperar umas 10 horas, pelo menos — disse um dos atendentes no balcão do Clínicas.

Na área externa, pacientes em macas e cadeiras de rodas aguardavam um chamado. Indignada com a situação, Irenita Tesche pediu uma ambulância para transferirem a mãe, que tem tumor na bexiga, para Gravataí, onde residem.


— Estou com a minha mãe nessa situação, debilitada na maca, e desde as oito da manhã no hospital, do lado de fora. É muito demorado. Uma vergonha.

No hospital Mãe de Deus, algumas especialidades não estavam atendendo durante a tarde, e os seguranças informavam os pacientes que a espera poderia chegar a seis horas. Um saguão abarrotado de gente refletia a situação que perdurava desde o início do dia.


No Moinhos de Vento, a espera poderia chegar a até cinco horas, informavam os atendentes. Com gripe e febre alta, Maria Cristina Lunardi aguardou por mais de três horas. Desistiu.

— Saí sem ser atendida. É revoltante. Um fracasso total — avaliou.

Já no Hospital de Pronto Socorro (HPS), um dos mais procurados para atendimentos do SUS, a sala de espera lotada dispensava qualquer tipo de explicação.

— Aqui é todo dia assim, moço — resumiu a atendente no balcão de informações.


Para reduzir a espera prolongada nas emergências, a prefeitura de Porto Alegre aposta no Protocolo de Manchester, que vem dando resultados com a classificação do grau de risco dos pacientes. De verde a vermelho, cores padronizam a gravidade dos casos.

A curto prazo, no entanto, a saída é aumentar a equipe médica e de enfermagem para melhorar o atendimento nos hospitais, como adianta Gerônimo Paludo, da coordenação de urgências da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

— Estamos trabalhando agora de forma mais intensa prevendo a chegada do inverno. A situação complica ainda mais. Então queremos incrementar as equipes para diminuir a espera da população.


A assessoria de imprensa do Hospital de Clínicas, afirmou que a superlotação é um problema diário enfrentado pela instituição e informou que o número de pacientes aguardando por atendimento era de 129 para 41 leitos disponíveis.

O Hospital Mãe de Deus disse que segue o Protocolo de Manchester e confirmou a espera prolongada na emergência.

A assessoria do Moinhos de Vento informou que o hospital prioriza o paciente em estado grave e com doenças de alta complexidade e destacou que a falta de acesso a outras formas de atendimento também amplia o problema enfrentado nas emergências.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

DE NOVO A FRAUDE DO LEITE



ZERO HORA 15 de maio de 2015 | N° 18163


ANDREA TROLLER PINTO*




Mais uma operação Leite Compen$ado é deflagrada. No meio de tantos escândalos, quando o assunto são alimentos parece ainda mais difícil entender. À luz da técnica, onde é confortável me manifestar, penso que teremos que rever todos os procedimentos de controle de qualidade, inspeção e fiscalização de produtos de origem animal. A promoção da saúde pública, que é atribuição do Estado, nos três níveis (federal, estadual e municipal) e das indústrias processadoras de alimentos, parece ter caído de moda. Há dois anos, quando foi detectado formol no leite, a grande comoção foi de que era um produto cancerígeno. À medida que os escândalos se seguiam, foram sendo encontradas outras substâncias, açúcar, sal, bicarbonato. Parece que começou a haver um alívio. Pelo menos não são produtos cancerígenos, pelo menos não provocam dano à saúde.

Não é alentador a fraude não provocar dano à saúde. Leite deteriorado, com substâncias estranhas, insetos, bicarbonato de sódio e soda cáustica? Desconfiança do consumidor, desvalorização da cadeia produtiva são as consequências. Subtração ou diluição de componentes, disponibilidade de nutrientes alterada são as consequências no curto prazo.

Ouvi cuidadosamente as gravações das escutas telefônicas disponibilizadas ao público comum pela RBS e de tudo que venho acompanhando sobre fraude em leite desde 2013. O que ouvi agora foi o que mais me chocou. Larvas (imagino de moscas) no leite, porque o caminhão estava sujo, porque o tanque estava sujo. Há quanto tempo? Aterrador.

Uma reforma sanitária e legal é necessária no sentido de proibir, coibir e impedir a ocorrência de fraudes de qualquer natureza. Esta reforma passa por questões técnicas e vai até o Judiciário. Mas também depende da atenção e conscientização nossa, como consumidores, usando produtos confiáveis, boicotando aqueles que temos desconfiança e riscando das nossas despensas aqueles que foram identificados como fraudados. Esse é o nosso papel.

*Professora da Faculdade de Veterinária da UFRGS – Inspeção e tecnologia de leite

quinta-feira, 14 de maio de 2015

SERVIDORES E PACIENTES FAZEM PROTESTO NO RS CONTRA CORTES NA SAÚDE



ZERO HORA 14 de maio de 2015 | N° 18162


BRUNA SCIREA


SAÚDE. SANTAS CASAS E HOSPITAIS. Servidores e pacientes fazem protesto no RS. R$ 300 MILHÕES que deveriam ser destinados ao setor foram cortados pelo governo estadual


Centenas de manifestantes se reuniram, em frente ao Palácio Piratini, no centro de Porto Alegre, em protesto contra o corte de recursos e o atraso de verbas para santas casas e hospitais filantrópicos do Estado, na manhã de ontem. E não foi um protesto apenas de funcionários do sistema. Pacientes de diferentes regiões também se deslocaram à Capital para se manifestar.

Com faixas estendidas em frente à sede do governo, instituições de Garibaldi, Uruguaiana, Lajeado, Soledade e dezenas de outras cidades pediram que o governo estadual cumpra os contratos com hospitais e priorize o financiamento da saúde pública.

No início do ano, o governo anunciou o corte de R$ 500 milhões na saúde, sendo que R$ 300 milhões seriam do cofinanciamento, destinado a santas casas e hospitais filantrópicos – valor mensal de R$ 25 milhões a ser distribuído entre 245 instituições. Além da redução no financiamento, o Estado deve R$ 132,6 milhões a esses hospitais, referentes aos repasses de outubro e novembro de 2014.

Durante o protesto, o presidente da Federação das Santas Casas do Rio Grande do Sul, Francisco Ferrer, se reuniu com o secretário- chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi, e entregou documento com a projeção do redimensionamento da assistência ao SUS em função dos cortes. Segundo Ferrer, a redução, em todo o Estado, seria de cerca de 10% – o que implicaria no corte de 4,6 milhões de procedimentos em 2015.

– Apresentamos um número que terá de ser negociado em sucessivas repactuações de contrato (entre os hospitais e o poder público) de agora em diante, em face ao não repasse por parte do governo do Estado – afirmou Ferrer.

Biolchi reconhece a dívida, mas afirmou que o Estado não tem condições financeiras de arcar com os recursos. Numa tentativa de dar conta do impasse, foi criado ontem um grupo de trabalho que, a partir da semana que vem, irá analisar um novo valor de repasse (inferior aos R$ 25 milhões).

– Não temos condições de honrar pagamentos no patamar de R$ 25 milhões, que é o que está contratualizado. Por isso, foi criado um grupo de trabalho, para tentar fazer com que esse volume venha a valores que possam ser alcançados pelo Estado. No que faltar, que a gente possa buscar com o governo federal – disse Biolchi.

O governo liberou R$ 93 milhões, ontem, a hospitais filantrópicos e públicos, e a prefeituras que desenvolvem programas vinculados SUS. A verba, porém, não tem relação com os valores atrasados.

sábado, 9 de maio de 2015

A DENGUE DOMINOU O BRASIL

REVISTA ISTO É N° Edição: 2371 | 09.Mai.15 - 09:21


O País vive mais uma vez uma vergonhosa epidemia da doença. Do início do ano até a metade de abril, 746 mil pessoas foram infectadas e um brasileiro morreu a cada onze horas vítima da enfermidade. Por que chegamos a este ponto?

Fabíola Perez e Ludmilla Amaral





O país vive mais uma vez uma epidemia da doença. A repórter Ludmilla Amaral traz mais informações.

O empresário Frederico Leitão, 34 anos, de São Paulo, não sabe se voltará a enxergar totalmente com seu olho esquerdo. Sua capacidade de visão foi afetada depois que ele se tornou mais um brasileiro infectado pelo vírus da dengue. O vírus causou uma neurite óptica (inflamação do nervo óptico), doença que chegou a tirar-lhe 90% da visão. Hoje, recuperou 70% dela, mas teme não tê-la completamente restaurada. O drama do empresário, dono de uma gráfica, começou no final de março, quando surgiram os primeiros sintomas da doença. A febre, as dores no corpo e nos olhos foram a senha para um inferno que já dura mais de um mês. Primeiro, foi a preocupação com o trabalho. “Não podia repousar por mais de dois dias porque teria prejuízo”, conta. Depois, a dor no olho que não passava e a perda quase total da visão. “Fiquei apavorado”, lembra. Após ser atendido por dois oftalmologistas, um neuro-oftalmologista e, finalmente, por um neurologista, ele ficou nove dias internado. Agora, continuará o tratamento.



Registrar a história de Frederico é fundamental. Assim como as de Laís Garcia, 25 anos, e a de seu pai, Henrique Garcia Júnior, 54 anos, e a de Sheila Storel, 38 anos, relatadas nesta reportagem. Eles estão entre os 746 mil brasileiros que tiveram dengue de janeiro até meados de abril, mas quando os números atingem um patamar assim tão dramático, corre-se o risco de passar-se a enxergar a situação somente como um fenômeno incômodo de saúde pública. Perde-se de vista o fato de que cada uma dessas 746 mil pessoas teve sua vida transtornada por causa da doença – e isso, essa dimensão individual, não pode ser pulverizada em estatísticas. Alguns mais, outros menos, todos foram obrigados a se deparar com um sistema de atendimento que não dá conta de prestar auxílio a tanta gente, perderam dias de trabalho, de estudo, de descanso. Sem falar nos 229 cidadãos que morreram até agora em uma epidemia que deveria ter sido evitada.

Hoje, o Brasil é um país acuado pela enfermidade. Em São Paulo, há 401 mil casos. A ameaça da doença tornou-se assunto recorrente e sua prevenção, em muitos casos objeto de obsessão. O empresário Victor Stockunas, 59 anos, preside o condomínio onde mora, em Alphaville, região metropolitana de São Paulo. Colocou na portaria uma placa com os dizeres ‘Agora é guerra’. Também determinou que os seguranças visitem as casas para saber se as medidas de prevenção estão sendo seguidas para evitar o surgimento de criadouros do Aedes aegypti, o mosquito transmissor do vírus responsável pela doença. “Cada um deve fazer a sua parte”, prega.



A venda de repelentes explodiu. O laboratório Osler, fabricante do repelente Exposis, aumentou em onze vezes sua capacidade de produção para atender as farmácias. De janeiro a abril de 2014, foram produzidos 100 mil frascos do produto. No mesmo período deste ano, o número subiu para 1,1 milhão de unidades. Nas redes de farmácias, o volume de vendas é expressivo. Nas contas da Drogaria São Paulo, houve crescimento de 107% em vendas de repelente comparado ao primeiro bimestre de 2014. Na Ultrafarma, a elevação foi de 195% em relação à 2014. “Nas lojas físicas, em São Paulo principalmente, mudamos o posicionamento dos repelentes que antes ficavam junto aos produtos de verão. Agora, eles ficam no Caixa, com mais visibilidade”, afirma Marcos Ferreira, vice-presidente da Ultrafarma.

Em muitas escolas, a rotina mudou. Na Kid´s School, em Cotia, na Grande São Paulo, as crianças são informadas sobre a importância de se proteger com repelentes e o que fazer para evitar a formação de criadouros. “Professores e funcionários passaram a usar repelente todos os dias”, conta Cátia Pacicco, coordenadora pedagógica da escola. Na UP School, em São Paulo, há pulverização com inseticida quinzenalmente. “Também solicitamos à prefeitura a visita de agentes sanitários”, diz Patrícia Lozano, diretora pedagógica.



Nos serviços de saúde, imprimiu-se a atmosfera do caos. Centros públicos estão lotados, obrigando a instalação de tendas para tratamento. Na que foi montada na Brasilândia, um dos bairros da capital paulista mais atingidos, já foram realizados 3,7 mil atendimentos desde abril. O local é uma parceria do Hospital Israelita Albert Einstein – um dos mais sofisticados entre as instituições privadas do País - com a Secretaria Municipal de Saúde. Uma equipe com seis médicos, cinco enfermeiros, seis técnicos em enfermagem, três técnicos administrativos e quatro biomédicos prestam o atendimento. Eles saem do hospital, no Morumbi, na zona sul, as seis e meia da manhã, para dar conta de começar a atender na Brasilândia, do outro lado da cidade. “Quando chegamos já tem gente esperando”, conta o infectologista Alexandre Marra. “Trabalhamos mais do que no Einstein, mas queremos ajudar”, diz a enfermeira Maria Roza de Oliveira.

A realidade é menos dura nos hospitais privados, mas mesmo assim houve dias nos quais era preciso esperar horas por atendimento. No Einstein, desde janeiro foram realizados treinamentos com profissionais do pronto-atendimento. No Hospital Sírio-Libanês, também um dos mais sofisticados do País, houve crescimento de 40% no número de pacientes atendidos em comparação ao mesmo período do ano passado. O hospital reforçou a equipe de médicos, enfermeiros e infectologistas e instalou 15 novas poltronas de observação para acomodar mais pacientes.

Muitas razões explicam a gravidade da situação. Algumas são pontuais. Houve a volta da circulação do tipo 1 do vírus (são quatro). Muita gente não havia tido contato com ele e, portanto, não havia desenvolvido anticorpos. Na região Sudeste, particularmente em São Paulo, devido à crise hídrica muitos moradores estocaram água sem o cuidado adequado, aumentando os criadouros.



Mas há origens crônicas por trás do desastre da dengue. Em primeiro lugar, a política de prevenção, que deveria ser executada de forma contínua pelas esferas federal, estadual e municipal de governos, é falha. E na linha de frente do atendimento ainda hoje encontra-se casos que não recebem o correto diagnóstico ou não são identificados como de risco. Depois, há deficiências estruturais nunca resolvidas que contribuem demais para a repetição das epidemias no País. Entre elas, uma urbanização sem planejamento que ignora a instalação de redes de saneamento básico, de um sistema eficiente de coleta de lixo e que leva ao fim de áreas para o escoamento de água. “A dengue é a doença que mais retrata a urbanização caótica em que vivemos”, diz o infectologista Artur Timerman, autor do livro Dengue no Brasil, Doença Urbana. Se nada for feito, o País continuará sujeito a desastres como o atual. E pode piorar, com a ocorrência também de epidemias do vírus Chikungunya, transmitido pelo mesmo Aedes aegypti. “É uma questão de tempo para que a febre chikungunya se torne outra epidemia”, diz Fernando Gatti Menezes, coordenador médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Albert Einstein.

Fotos: Paulo Whitaker/Reuters; Gabriel Chiarastelli, João Castellano/Ag. Istoé

quinta-feira, 7 de maio de 2015

CORTES E ATRASOS PODEM PARALISAR HOSPITAIS NO RS



ZERO HORA 07 de maio de 2015 | N° 18155


CAIO CIGANA

SANTAS CASAS E FILANTRÓPICOS. Sem repasses, hospitais ameaçam reduzir atendimentos pelo SUS


CORTE NOS RECURSOS enviados pelo Estado e pagamentos atrasados para cobrir despesas deixam instituições em dificuldade financeira. Em algumas cidades, restrições podem começar neste mês



Alegando dificuldades financeiras agravadas pelo corte de repasses do Estado, as santas casas e hospitais filantrópicos gaúchos ameaçam reduzir serviços como internações, consultas e cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em algumas cidades, o corte poderia começar neste mês.

Para mostrar o tamanho do problema, instituições de diversos municípios paralisaram ontem o atendimento por algumas horas ou o dia inteiro. A maior queixa é que o governo, desde outubro do ano passado até abril, repassou apenas R$ 20 milhões dos R$ 160 milhões que seriam devidos. A verba é referente ao cofinanciamento – complemento que o Estado envia para ajudar a cobrir o déficit porque a tabela do SUS não paga toda a despesa.

Ao mesmo tempo, os 245 hospitais filantrópicos e santas casas, responsáveis por mais de 70% do atendimento do SUS no Estado, estariam sufocados por uma dívida de R$ 1,2 bilhão com bancos, fornecedores, além de salários, encargos trabalhistas e tributos.

O presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos no Estado, Francisco Ferrer, diz entender as dificuldades, mas avalia que a saúde deveria ser exceção na hora dos cortes:

– Estamos tratando com vidas. Não podemos equipará-las com uma obra que pode parar.

PACIENTES PREJUDICADOS DEVEM SER AVISADOS

A próxima mobilização ocorrerá no dia 13 de maio, quando caravanas do Interior farão manifestação em frente ao Palácio Piratini. Segundo Ferrer, cabe aos gestores da área da saúde informar aos usuários do SUS quem pode ter o atendimento remanejado em razão da redução dos serviços. Mesmo assim, garante, os hospitais devem entrar em contato com quem poderá ser prejudicado.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde afirma que estão “rigorosamente em dia” os valores previstos a partir de dezembro de 2014. Os hospitais contestam. Segundo Ferrer, o valor mencionado se refere apenas a repasses, e não ao cofinanciamento, responsabilidade do Tesouro.

A secretaria informa ainda que as pendências referentes ao ano passado, de R$ 151 milhões, serão quitadas de acordo com o fluxo de caixa do governo. Ferrer sustenta que, nesses valores, estão misturados recursos devidos do cofinanciamento e recurso de origem federal não repassado pelo Estado.


FINANÇAS NA UTI
-Hospitais filantrópicos e santas casas cobram R$ 140 milhões do governo gaúcho como parte do cofinanciamento para cobrir custos dos atendimentos pelo SUS.
-Seriam R$ 40 milhões de outubro e novembro de 2014 (R$ 20 milhões por mês) e R$ 100 milhões de janeiro a abril (R$ 25 milhões por mês), já que a Assembleia aprovou no orçamento valor de R$ 300 milhões para este ano.
-O governo Sartori repassou apenas R$ 20 milhões referentes a dezembro do ano passado. Do orçamento da Saúde, R$ 500 milhões serão cortados, sendo R$ 300 milhões do cofinanciamento.
- O cofinanciamento serve para ajudar a cobrir a defasagem na tabela de serviços pagos pelo SUS.
-As 245 instituições respondem por mais de 70% dos atendimentos pelo SUS no Estado.
- Além do cofinanciamento, os hospitais cobram R$ 92 milhões do ano passado referentes a serviços de média e alta complexidade e alguns programas, dinheiro federal apenas repassado pelo Estado.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

SANTA CASAS E HOSPITAIS FILANTRÓPICOS PARALISAM ATENDIMENTO AO SUS

ZERO HORA 06/05/2015 | 08h41


Santas Casas e hospitais filantrópicos gaúchos paralisam atendimento ao SUS nesta quarta-feira. Mobilização é contra corte de repasses do governo do Estado



Santa Casa de Porto Alegre deve cortar 118 leitos definitivamente Foto: dani barcellos / Especial

Hospitais filantrópicos e Santas Casas do Rio Grande do Sul paralisam o atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), nesta quarta-feira, em resposta ao corte de repasses do governo do Estado. De acordo com o diretor-geral da Santa Casa de Porto Alegre, Julio Matos, o governo do Estado deixou de repassar R$ 300 milhões para os hospitais desde o começo do ano. As informações são da Rádio Gaúcha.

Em 197 municípios gaúchos, diferentes serviços ao SUS são afetados e os hospitais devem se reunir com as prefeituras para explicar a situação. A Santa Casa de Porto Alegre está reduzindo definitivamente 118 leitos hospitalares e irá paralisar o atendimento das 10h às 11h desta quarta-feira. Conforme a instituição, atendimentos de urgência e emergência serão realizados normalmente. Serão atrasados, no entanto, consultas e atendimentos de casos de menor risco.

Já no Hospital Vila Nova, na zona sul da Capital, 35 cirurgias foram adiadas. No Hospital São Lucas da PUCRS, haverá mobilização, mas sem cancelamento no atendimento. A Federação das Santas Casas estima que 9 mil procedimentos sejam suspensos ao longo do dia de hoje.

O secretário de Saúde, João Gabardo, disse que o governo atual repassou em dia o dinheiro referente aos meses de janeiro até abril. Quanto a outubro e novembro do ano passado, o secretário reforçou que dinheiro só será repassado quando houver disponibilidade de caixa.

– O que o Estado disse que está pagando em dia é depois do corte de R$ 500 milhões da área da saúde, sendo R$ 300 milhões só para os hospitais. É fácil dizer que paga em dia depois desse corte – afirmou Matos, explicando que não há mais como garantir os atendimentos pelo SUS sem o apoio do governo estadual.




Mobilização pelo interior

Em Pelotas, o Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), Beneficência Portuguesa e Santa Casa terão adiados 580 procedimentos eletivos como cirurgias, exames e internações – exceto os de pronto atendimento. Somadas, a dívida das três instituições é de R$ 7,5 milhões. O Hospital Espírita de Pelotas, responsável por 94% dos leitos psiquiátricos da Região Sul e com prejuízo de R$ 1,2 milhão, vai aderir à paralisação, mas não terá atividades suspensas.

Pelo menos 70 procedimentos eletivos foram adiados no Hospital Casa de Saúde, em Santa Maria, na Região Central. Apenas serviços de emergência serão atendidos no hospital.

Na Serra, em Caxias do Sul são dois hospitais com adesão ao movimento. O Pompéia reagendou 1.050 atendimentos e Hospital Geral cancelou 104 consultas eletivas, além de remarcar 600 exames e cirurgias. Já em Gramado, o Hospital Arcanjo São Miguel desmarcou cinco cirurgias do SUS. Em Garibaldi, o Hospital São Pedro suspendeu 100 cirurgias e exames. Em Vacaria, o Hospital Nossa Senhora de Oliveira reagendou 136 atendimentos.

Em Farroupilha, apenas pacientes de casos de urgência e emergência devem procurar o Pronto Atendimento do Hospital São Carlos porque não haverá atendimento para outras situações. Já outros municípios remarcaram procedimentos eletivos.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

UPAs ESTÃO AMEAÇADAS PELA CRISE



ZERO HORA 27 de abril de 2015 | N° 18145


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira




Apresentadas como uma solução para ampliar a oferta de serviços médicos de urgência e emergência, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) correm o risco de naufragar por falta de recursos no Rio Grande do Sul. Os prefeitos alegam que não têm condições de bancar a diferença entre o custo de funcionamento de uma UPA e o que recebem dos governos estadual e federal.

O presidente da Famurs, Seger Menegaz (PMDB), prefeito de Tapejara, resume a situação em uma sequência de frases:

– Quem tem projeto não quer construir. Quem está com obra em andamento não quer finalizar. Quem concluiu não quer inaugurar. E quem inaugurou corre o risco de ter de fechar as portas.

Amanhã, às 14h, os prefeitos vão se reunir na sede da Famurs com representantes do governo estadual para discutir a situação das UPAs. A ideia é tentar obter recursos com o governo federal, já que no Estado a torneira está fechada. A promessa, feita em 2013, de dobrar as verbas estaduais para o custeio não se concretizou.

Menegaz diz que o custo de manutenção mensal de uma UPA varia de R$ 450 mil a R$ 900 mil. E que os municípios estão arcando com a maior parte, principalmente nas unidades de médio e grande portes.

No Rio Grande do Sul, existem hoje 13 UPAs em funcionamento. Dez estão prontas, aguardando a inauguração ou a aquisição de equipamentos. Outras 22 estão em construção. Em Alegrete, o prefeito Erasmo Guterres (PMDB) alega que o município terá dificuldade de manter, nos próximos meses, as despesas da UPA inaugurada em 29 de dezembro de 2014. Em Santo Ângelo, o prédio está concluído, mas o prefeito Valdir Andres (PP) diz que não tem dinheiro para colocar a UPA em funcionamento. Já o prefeito de Campo Bom, Faisal Karam (PMDB), revela que desistiu da construção da UPA após avaliar o alto custo para o município.




O RIO GRANDE NO DIVÃ


Uma reflexão profunda sobre a identidade dos habitantes do Rio Grande do Sul e as implicações do seu jeito de ser e de se relacionar com o mundo é o foco do projeto Nós Outros Gaúchos. Trata-se de uma jornada de debates promovida pelo Instituto APPOA, da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, e pelo Departamento de Difusão Cultural da UFRGS.

O primeiro será no dia 6 de maio, no Salão de Festas da Reitoria da UFRGS.

Especialistas de diferentes áreas vão discutir os traços culturais que estão na origem das tensões e que minam as relações de confiança, entravam as parcerias, produzem maniqueísmos belicosos e dificultam o desenvolvimento do Estado.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

REMÉDIOS NO LIXO



ZERO HORA 15 de abril de 2015 | N° 18133


CLEIDI PEREIRA

SAÚDE. Estado descartou 8,4 toneladas de medicamentos no ano passado


VOLUME EQUIVALE A R$ 3,2 MILHÕES, conforme dados obtidos via Lei de Acesso à Informação. Apesar de alto, o desperdício foi menor do que em 2013, segundo a Secretaria Estadual da Saúde


No ano passado, 8,4 toneladas de medicamentos comprados com dinheiro público tiveram como destino aterros da Região Metropolitana. O motivo? Como não foram distribuídos a tempo, o prazo de validade expirou, fazendo com que 23 quilos de remédio fossem descartados diariamente. O volume é 8,8% menor do que o registrado em 2013, quando 9,2 toneladas foram parar no lixo.

Conforme dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, o valor das medicações descartadas em 2014 equivale a R$ 3,2 milhões. A Secretaria da Saúde pondera que a cifra representou 0,53% da verba investida pela União e pelo Estado na aquisição de fármacos, que alcançou R$ 606,2 milhões.

O valor – embora seja 32% inferior ao de 2013 – é maior que o total gasto no ano passado com programas como o RS na Paz (R$ 3 milhões), que objetiva reduzir a violência no Estado, e corresponde ao triplo do que foi investido em 2014 em ações de prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres (R$ 970 mil), e seis vezes mais do que a verba aplicada no projeto de acesso e garantia à universalidade dos direitos das pessoas com deficiência.

Segundo Francisco Bernd, chefe de gabinete do secretário João Gabbardo, as rotinas da pasta estão sendo revistas, mas dificilmente será possível zerar o volume. Em três meses, a nova equipe pode constatar o superdimensionamento de programas. O trabalho, nesses casos, será de readequação.

– Não tem sentido descartar o que tem valor, mas, em algumas situações, fica difícil. Vamos tentar reduzir ao máximo – diz Bernd.



ESPECIALISTA SUGERE NOVO FOCO PARA A SAÚDE PÚBLICA

De acordo com o professor Aragon Dasso Júnior, do curso de Administração Pública e Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, são inúmeras as variáveis que podem levar ao descarte de fármacos. Entre as quais, o gerenciamento inadequado e o fato de o repasse de medicamentos não ser fracionada – ou seja, o usuário recebe mais do que o necessário, o que acaba impactando nas compras e estoques. Para Dasso Júnior, é possível reduzir o volume descartado anualmente, e a solução passa por um acompanhamento mais eficaz, além de uma mudança no foco das políticas públicas na área da saúde.

– O sistema privilegia a cura em detrimento da prevenção. Não deveria ser a lógica do SUS. O sistema preventivo, inegavelmente, gera menos lucro para a indústria farmacêutica, e essa é a questão. Em tempo de dificuldades financeiras, não adianta só pensar em arrecadação. O segredo é diminuir despesas – avalia o professor.




sexta-feira, 10 de abril de 2015

DEPRESSÃO: ESSE MONSTRO COMEDOR DE ALMAS

JORNAL EXTRA em 09/04/15 07:00


Por: Mônica Raouf El Bayeh





O jornalista do SBT de Santa Catarina, Luiz Carlos Prates , fez colocações muito sérias e perigosas em seu programa ao falar sobre depressão. O jornalista imaginou ser o suficiente sua distorcida e preconceituosa opinião sobre o assunto. Não pesquisou a respeito.

É preciso, sim, que se fale abertamente sobre depressão. Afinal, é um transtorno que atinge 46 milhões de brasileiros. Mas que se fale corretamente. Precisamos de uma visão limpa de preconceitos e inverdades. Que se fale, principalmente, com o respeito que a questão merece.

De acordo com o jornalista, o depressivo é um ser frustrado, muitas vezes sem caráter. Luiz Carlos afirma ainda que o depressivo é um covarde existencial e merece nosso desprezo. Lamentável e perigoso ouvir tal declaração, ainda mais de uma pessoa que é formadora de opinião.

O depressivo não é um covarde. Nem frustrado, sem caráter ou sem moral. Essas são afirmações levianas de pessoas que desconhecem a questão e resolvem assumir como verdade suas leigas e errôneas opiniões.

Uma pena porque posturas como essas só dificultam ainda mais a vida de quem já tem problemas mais do que suficientes. O depressivo não é um coitadinho, nem deve ser tratado como tal. Não precisa da nossa pena. Apenas da compreensão de que ali existe uma dor grande e real. Dor muito difícil de carregar, ainda mais sozinho.

Muitos depressivos apresentam dores pelo corpo. Cada dia uma dor diferente. As queixas vão se revezando. A gente tende a rir, dizer:

- Lá vem ele! Qual será a queixa de hoje?

E a comentar:

- Besteira! Você não tem nada. Isso é tudo psicológico!

É psicológico? É. Mas existe uma diferença entre ser psicológico e ser mentira. Entenda a diferença: não existe uma doença que apareça em algum exame. A doença não é real. Mas a dor é. Ele não mente. Nem inventa como a gente imagina. Dói no corpo a dor da alma. E almas não saem em radiografias. Mas doem muito mais do que se imagina.

A dor do corpo é a angústia que transborda o tanto que se sente. Uma enxurrada de afetos que sai levando tudo. Inclusive o sorriso. O mundo perde a cor. Fica cinza, nublado. O sabor perde a graça. Tudo em volta é insosso. Reina a apatia.

Tudo irrita, cansa, é chato, sem graça. Tudo pesa. Almas doídas pesam muito. A vida vira um fardo. Melhor não ir, não fazer, nem tentar. A vida encolhe.

Tem também a dúvida: será que vai dar certo? Acho que não vale a pena ou será que vale? Compro ou não compro? Vou ou não vou? Uma ruminação sem parar que suga a energia de qualquer um.

O medo ronda como se fosse uma ataque inimigo. Medo de que? Medo! Uma sensação vaga de que algo ruim vai acontecer inundando tudo. E vai mesmo, já aconteceu. É muito ruim estar com depressão. A depressão é, sim, um inimigo. Tem tratamento. Mas a sugestão de " vai se tratar" é falada mais como um xingamento do que como apoio. Equivale a qualquer outro "vai... " para onde costumamos mandar pessoas desagradáveis.

E o que dizer do preconceito?

- Psicólogo? Psiquiatra? Eu não sou maluco!

É por essas e outras afirmativas que as pessoas não se tratam. O que é sentimento não merece tratamento? Fica parecendo que é assim. Depressivos ainda ouvem absurdos como:

- Depressão? Que depressão nada. Besteira.

- É falta de Deus no coração!

- Falta de caráter.

- Covardia.

- Coisa de gente molenga.

Não é. Essas afirmações só afastam as pessoas da solução para suas dificuldades. A pessoa envergonhada se esconde, se afasta. Se torna invisível para evitar críticas. O quadro se agrava. Cada dia o buraco é mais fundo.

Reina o vazio. Uns comem para aplacarem a angústia e se sentirem mais recheados. Outros perdem completamente o apetite. Vazios no prato como na alma. As noites são longas e o sono não vem. Ou é todo picado, não se descansa.

O depressivo é uma pessoa que tem uma dificuldade de dar conta de seus afetos. Em parte por questões emocionais, em parte por questões químicas no cérebro. Ele precisa de ajuda terapêutica e medicamentosa. Só isso. Não condenem quem não é réu.

A depressão é um monstro comedor de almas. Ataca silenciosa como nevoeiro. Cobre tudo com sua mortalha. Não há família onde ela já não tenha atacado ou não possa vir a atacar. Ninguém está imune. Depressão tem tratamento, mas não tem vacina.

Então é melhor não cuspir para cima porque pode cair na própria testa. Em se tratando de depressão todo telhado é de vidro. E quem tem telhado de vidro não taca pedra no telhado do outro. Fica a dica.



Leia mais: http://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/depressao-esse-monstro-comedor-de-almas-15795437.html#ixzz3WupaNXa6