quinta-feira, 2 de abril de 2015

DIÁLOGO É O REMÉDIO



ZERO HORA 02 de abril de 2015 | N° 18120


 FERNANDO RITTER*



O diagnóstico é claro e conhecido. A saúde pública precisa melhorar. E sem dourar a pílula. O tratamento precisa ser realista e efetivo. Porto Alegre avançou muito, mas os sintomas persistem e o paciente ainda sofre.

Vários fatores agravam a doença: mesmo com 150 unidades de saúde, dois hospitais municipais e toda a rede hospitalar contratualizada para o SUS, a Capital trata mais gente do Interior que da própria cidade. Hoje, os de fora representam 65% dos atendimentos. A prefeitura arca com esse custo. É uma das capitais que mais investem em saúde pública: em 2015 serão R$ 574,8 milhões.

O tratamento precisa ser aplicado logo. E começa com um remédio valioso: o diálogo.

Como numa conversa franca entre médico e paciente grave, o município precisa ser objetivo com seus parceiros: com o Estado, cobrar ressarcimento do gasto com usuários do Interior.

Com a União, agilidade nos repasses de recursos. Com os prestadores de serviços, eficiência nos atendimentos para o SUS. E com as entidades de classe, busca permanente pelo entendimento.

Não se pode perder tempo em conflitos. Transparência é fundamental, assim como aplicar bem os recursos. Daí a prioridade na Atenção Básica, na qual o usuário tem ser bem cuidado antes que os problemas se agravem e virem tratamentos caros, demorados e sofridos. Em 2015, chegamos a 206 equipes de saúde da família e 106 de saúde bucal. Homologamos 25 concursos públicos para reforçar as equipes.

Um novo sistema de regulação, com informatização das unidades, permitirá um fluxo muito melhor na rede de saúde. O HPS será um dos mais modernos hospitais de trauma do país. Todas essas medidas, com a dose certa de responsabilidade e conciliação, farão a saúde melhorar, e muito.

*Secretário da Saúde de Porto Alegre


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - De nada adianta o diálogo com quem não quer ouvir e nem ceder nada da sua ganância por dinheiro público.  É preciso uma mobilização da sociedade organizada capaz de exigir uma ampla e profunda reforma fiscal que reduza o desperdício e a comilança da União, proporcionando cotas maiores às unidades federativas para que estas possam distribuir os direitos à população. Está na hora dos Poderes da União cumprirem os princípios republicanos e federativos, reduzindo a máquina pública central, aplicando uma justiça tributária no país e abrindo mão de recursos que pertencem à população dos Estados e dos municípios. A saúde agradeceria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário