quinta-feira, 9 de setembro de 2010

CRISE NA SAÚDE - Cem leitos a menos e greve de funcionários


CRISE NA SAÚDE. Cem leitos a menos em Porto Alegre. Funcionários do Hospital Beneficência Portuguesa iniciaram ontem greve por tempo indeterminado - Zero Hora, 09/09/2010

Com contas atrasadas e ameaça de despejo batendo na porta das suas casas, funcionários do Hospital Beneficência Portuguesa decidiram entrar em greve a partir de ontem. Cerca de 370 servidores de nível médio não recebem salários há dois meses. A paralisação por tempo indeterminado agrava a crise na saúde de Porto Alegre, que sofre com a superlotação de emergências.

Além do atraso no pagamento, a categoria afirma que a instituição desconta o FGTS e o INSS, mas não deposita os valores nas contas. Para agravar o quadro, na sexta-feira a empresa responsável pela higienização de lençóis, fronhas e toalhas usadas pelos pacientes deixou o serviço.

Técnicos e auxiliares de enfermagem cruzaram os braços em protesto. A manifestação com faixas e cartazes na entrada do prédio, na Avenida Independência, explicava a decisão para a população. Na manhã de ontem, havia 49 pacientes internados. Segundo o SindiSaúde, novas internações estão proibidas, deixando pelo menos cem leitos ociosos.

Representantes do hospital, Sindisaúde e da Secretaria Municipal da Saúde reuniram-se ontem à tarde para tentar uma solução para a crise vivida pelo Beneficência. Para voltar a receber os recursos do município, a direção da instituição terá de apresentar um plano de reestruturação financeira e administrativa e ampliar o atendimento pelo SUS. Hoje, deverá ocorrer outro encontro dos novos administradores do Beneficência na Secretaria. Amanhã, as partes serão ouvidas no Ministério Público do Trabalho.

– Eles vão tentar formar um novo pacto para retomar o atendimento pelo SUS e discutir uma forma de pagar os salários atrasados – afirmou Gilmar França, diretor jurídico do Sindisaúde.

A direção do hospital informou que não aceitará novos pacientes até o final da paralisação. O acordo com o sindicato é de que 30% dos funcionários sejam mantidos trabalhando para atender os pacientes que continuam internados no hospital.

A situação do Hospital - Oferece 150 leitos. Atende, em média, 75 pacientes por dia. Não oferece emergência, só atendimento eletivo. É credenciado pelo SUS. Recebia mensalmente da Secretaria Municipal de Saúde cerca de R$ 500 mil referentes ao atendimento do SUS (60 consultas de ortopedia, 40 de traumatologia e cinco de neurologia contratadas pelo município).

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