terça-feira, 23 de junho de 2015

A AGONIA DOS HOSPITAIS



ZERO HORA 23 de junho de 2015 | N° 18203


EDITORIAIS



Uma perversa combinação de redução no repasse de recursos com problemas crônicos agravou abruptamente a situação dos hospitais gaúchos que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O quadro é mais preocupante no caso das instituições filantrópicas, que no Rio Grande do Sul atendem 75% dos pacientes do sistema. Como a agudização da crise ameaça a realização de milhões de procedimentos anuais, a situação precisa ser enfrentada agora, antes que os danos se disseminem por centenas de municípios gaúchos, prejudicando a saúde da população.

O SUS, que teve como um de seus principais méritos a universalização do atendimento, sofre particularmente pela falta de alocação de recursos oficiais necessários para assegurar um mínimo de eficiência nessa área. A particularidade de a gestão ser tripartite, com responsabilidades financeiras que se diluem no âmbito da União, dos Estados e dos municípios, contribui para agravar o problema. O fato concreto, porém, é que o ajuste fiscal reduziu as verbas federais para a saúde pública, o Estado descontinuou repasses que já vinham em atraso desde o governo anterior, e os municípios não têm cacife para bancar o que falta.

Os dramas que essa situação provoca exigem ações imediatas. Líderes políticos e representantes das três instâncias da federação precisam se unir e encontrar saídas eficazes e imediatas. A regionalização do atendimento pode ser uma alternativa, mas não é a única. É preciso melhorar a gestão dos hospitais, pagar os servidores em dia e garantir logo um atendimento menos indigno aos pacientes.

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